Pedagogia do Palhaço


21/09/2006


Jornal da Tarde Sábado-12 de Agosto

 

 

 

 

                  Bem-vindo ao 'Circo do Sêo Léo'

A apresentação começa: "Bem-vindos ao Circo do Sêo Léo", grita o professor Marco Guerra. É ele o responsável pela oficina de "palhaçaria" em sete unidades da Febem do Estado de São Paulo. O nome do circo é uma brincadeira com o grupo Cirque du Soleil - embora muitos meninos não entendam a referência.

Uma quadra poliesportiva esburacada serve como palco, enquanto traves de gol sem rede improvisam um backstage. O respeitável público se acomoda em cadeiras brancas de plástico e espreme bem os olhos por causa do sol forte. Ninguém está ansioso, nem mesmo os artistas - eles se apresentam para a mesma platéia ao longo das semanas.

É neste cenário pobre que a trupe de palhaços formada por oito internos da Febem do Tatuapé precisa rebolar para arrancar risadas. O colorido da maquiagem compensa o bege opaco das bermudas que fazem parte do uniforme dos internos. "Com certeza é difícil liberar nossa alegria com tanta grade e cerca ao nosso redor", diz o palhaço "Batatinha" (os menores é que pedem para ser chamados pelos "nomes de palhaços").

As cenas são feitas por dois, três palhaços no máximo. Quando contracena com eles, Guerra não se inibe em dar instruções entre uma piada e outra ("Olha para a frente, pois o público está lá!") Os meninos escutam e respeitam. Alguns dos internos se esforçam tanto nas oficinas que, quando retornam para a sociedade em liberdade, Guerra se pega chateado pelo "desfalque" na equipe. "Claro que quero que eles refaçam sua vida, aqui não serve como lar para ninguém", diz. "Mas fico com saudade."

Os aspirantes a palhaço também se apegam e muitos deles querem virar palhaços profissionais. "Não volto mais para minha vida de antes", promete o palhaço "Romeu". "Se eu tivesse aprendido o que aprendi aqui, não teria nem entrado nela."

Escrito por Marco Guerra às 00h16
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20/09/2006


Internos de Franco da Rocha visitam os bastidores do Circo Roda Brasil, em São Paulo

Por Assessoria de Imprensa, em 19/09/06 15:58

No dia 22 de setembro, sexta feira, a partir das 19 horas, sete jovens da unidade de internação 25 - Rio Negro, do Complexo Franco da Rocha, que participam da Oficina de Palhaços, vão conhecer os atores do Circo Roda Brasil, que está em cartaz  com o espetáculo Staparfúdyo, no Memorial da América Latina.

Na ocasião, os jovens terão a oportunidade de conhecer os bastidores do espetáculo, conversar com os palhaços e, depois, assistirão à apresentação, programada para às 21 horas, sempre em compania do ator e arte-educador Marco Guerra, responsável pelas oficinas de arte-circense da Febem.

Guerra ressalta que o projeto faz grande sucesso entre os internos das unidades. “Quero aproveitar a oportunidade que o Circo Roda Brasil está oferecendo para que os adolescentes possam conhecer mais de perto o mundo circense, universo que eles conhecem muito pouco”, explica.

Já a assistente de produção e assessora do Circo Roda Brasil, Vivian Dozono, vê com bons olhos a visita dos jovens. “Espero que com essa visita, eles despertem para as oportunidades que existem nesse tipo de profissão”, conclui Vivian. Ela também informa que no ano de 2005, um dos idealizadores do grupo teatral Parlapatões, Raul Barretto, visitou duas vezes o Complexo Brás, a convite dos idealizadores do projeto ComunicaBem.

A oficina de palhaços existe desde agosto de 2005, e é composta por jovens reincidentes que manifestaram interesse em participar de atividades educativas voltadas à arte-circense. Atualmente, o professor Marcos Guerra conta com 20 alunos, divididas em três trupes, denominadas de: "Capota, Mas Não Breca"; "Trupica, Mas Não Cai" e "Pés ao Alto".

Circo Roda Brasil - o Circo Roda Brasil surgiu da união de dois grupos teatrais: os Parlapatões e o Pia Fraus, ambos patrocinados pela empresa CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias). A iniciativa, denominada de CCR Cultura nas Estadas, é apoiada pela Fundação Memorial da América Latina e pela Secretaria de Estado da Cultura.

Com o objetivo de renovar a arte circense, o grupo conta com artistas que sempre sonharam em seguir pelas estradas levando às cidades brasileiras suas variadas linguagens cênicas: teatro, circo e teatro de bonecos. Saiba mais por meio do site www.circorodabrasil.com.br

 

Escrito por Marco Guerra às 23h50
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