Circulo Livre de Atuadores

No dia 28 de agosto de 2010 às 13h00, começou o curso da primeira turma de teatro da Aprendizarte, a partir desse curso será formado o elenco do Circulo Livre de Atuadores, grupo de teatro de pesquisa, dirigido por Marco Guerra.

No mesmo dia também começou às 10h00, o curso de produção de vídeo, ministrado por Elias Mingoni.



Escrito por Marco Guerra às 16h33
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Escrito por Marco Guerra às 16h28
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Escrito por Marco Guerra às 16h24
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Olá amigos que visitam esse Blog, convido a todos para visitarem meu novo blog UOL Busca www.associacaoaprendizarte.blogspot.com , que é onde venho publicando as novidades sobre a Pedagogia do Palhaço. A prórpria Associação Aprendizarte foi fundada em comemoração dos dez anos da Pedagogia.



Escrito por Marco Guerra às 20h46
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Olá amigos que visistam este blog, estou postando essa matéria que tem a ver com saúde e riso e como o blog tem a ver com educação, palhaço e humor...

Qui, 12 Mar, 02h04

"O riso não cura a doença, mas fortalece o organismo"

Por Giuliana Reginatto

São Paulo, 12 (AE) - O impacto da alegria sobre a saúde humana motivou a criação de um laboratório específico para estudos sobre o tema. Trata-se do Instituto da Ciência da Felicidade, coordenado pela cientista Silvia Helena Cardoso, doutora em psicobiologia pela Universidade de São Paulo (USP) e pós doutora em neurociência pela Universidade da Califórnia de Los Angeles (UCLA). "O riso não cura a doença, mas pode fortalecer o organismo e melhorar o sistema orgânico, realizando uma atividade preventiva", esclarece.

Na avaliação de Silvia, as endorfinas liberadas durante o riso podem atuar de modo analgésico. "É por isso que o riso pode atenuar dores, inclusive emocionais. Ele é contagioso: quando vemos alguém gargalhar temos vontade de rir também por causa de uma estrutura cerebral chamada neurônio espelho, também ativada quando sentimos aquele mal-estar ao vermos alguém machucado. A principal função do riso é a comunicação. Ao transmiti-lo para o outro estaremos evocando reações igualmente positivas."

Silvia explica que o ser humano possui sistemas neurais específicos para os vários tipos de sentimento - entre eles felicidade, medo e raiva. "Isso ocorre primeiramente em nível subconsciente. Os macacos, por exemplo, também riem ao trocarem cócegas embora sejam incapazes de interpretar piadas. O riso que passa a ser consciente é uma faculdade humana. Quando a pessoa conhece a ciência da felicidade ela pode tirar proveito disso fazendo com que o riso seja cada vez mais consciente."

A neurocientista diz que o riso também está associado à saúde cardiovascular. "Sabe aquela sensação de alívio que sentimos após a gargalhada forte? Ela é consequência de uma diminuição da pressão sanguínea. Durante os momentos de tensão, ao contrário, libera-se o cortisol, o hormônio do estresse, que também está envolvido na configuração neural da insegurança, da tristeza. O sistema cerebral funciona à base de excitar ou inibir circuitos. Você pode escolher se prefere rir e alimentar o sistema da felicidade ou se vai insistir em estimular a estrutura da infelicidade."



Escrito por Marco Guerra às 18h21
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04/01/2009 - 10h50

Ator usa palhaço para lidar com limitações da esclerose múltipla

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AMARÍLIS LAGE
da Folha de S.Paulo

Um ator pode interpretar vários personagens, mas só um palhaço. Isso porque o palhaço é uma caricatura do próprio intérprete. Para construí-lo, é preciso colocar uma lupa sobre as próprias falhas, inaptidões e pudores. Exacerbá-los, aceitá-los e expô-los ao público.

"Ser palhaço é ter talento para seus fracassos." É assim que Nando Bolognesi, 40, define a sua profissão. Da faculdade de economia, ele passou a estudar artes dramáticas, chegou ao palco como Comendador Nelson e acabou na área da saúde --foi integrante dos Doutores da Alegria por quatro anos e hoje desenvolve um projeto em hospitais psiquiátricos. Mas talvez o principal paciente do Comendador tenha sido ele próprio --o ator tem esclerose múltipla.

O problema surgiu em 1988, quando Nando, aos 20 anos, viajava pela Europa. No tempo livre, dedicava-se a uma paixão: o futebol. Destacava-se no campo, mas, um dia, viu que, às vezes, a perna não obedecia.

Pouco depois, percebeu que a sua letra estava estranha. Até que, certa manhã, não conseguiu apertar a válvula do desodorante. Assustado, voltou ao Brasil, onde foi diagnosticado.

A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imunológico passa a atacar as células nervosas, levando à perda parcial dos movimentos e dos sentidos.

No caso de Nando, a doença era do tipo surto-remissão --após o tratamento de uma fase aguda, o organismo recuperava as habilidades atingidas. Mas os surtos deixavam sequelas, principalmente nas pernas.

Foi assim que o rapaz atlético deixou de ser o capitão do time de futebol para se tornar o último a ser escolhido. Os amigos, solidários, ainda o chamavam para as partidas. Mas ele acabava ficando de escanteio. "Eu não concebia a possibilidade de não jogar. Corria, remava, adorava esportes. É algo muito difícil de aceitar", lembra.

Vieram o luto, a terapia, a meditação transcendental. E, aos poucos, veio também o Comendador Nelson. "Comecei a ter que vivenciar o 'perdedor'. Mas era uma coisa amarga. Não era uma opção, como no palhaço. Era a minha vida."

E Nando reprimiu a doença. Tudo bem expor ao público sua leve tendência à rabugice e à nostalgia. Mas as limitações físicas ficavam camufladas. Assim, quando participava dos Doutores da Alegria, grupo de palhaços que visita crianças internadas, caminhava por horas pelos corredores dos hospitais, apesar da fraqueza nas pernas. Quando passou a integrar o espetáculo Jogando no Quintal, uma espécie de duelo entre palhaços, esforçava-se para encarar as duas horas de aquecimento mais duas de show.

Ao perceber que o cansaço era demais, consultou a equipe: será que o Comendador Nelson poderia usar uma bengala no palco? A resposta foi sim. "Assumi que o meu ritmo era outro. Eu lutava contra isso, tentava pular e correr como os outros. Até eu sacar que, quanto mais eu assumisse a minha condição, mais verdadeiro seria. Todo mundo está sempre procurando onde está a singularidade do seu palhaço. Pensei: está na minha cara. Parece óbvio, mas, para mim, não era."

Há cerca de três anos, Nando incorporou a bengala também no seu dia-a-dia.

Novo tratamento

A aceitação não significa conformismo, ele frisa. "Quero continuar buscando superar os limites que a esclerose coloca", afirma. Há cerca de cinco anos, esses limites aumentaram. A doença evoluiu de surto-remissão para progressiva secundária, ou seja, mesmo fora do período de surto, a doença progride lentamente.

Para combater a doença, Nando se submeterá, em janeiro, a um novo tratamento que une quimioterapia com transplante de células-tronco. No procedimento, o paciente recebe quimioterápicos, que inibem a produção das células imunológicas na medula óssea, e um soro, que "desliga" o mecanismo de combate ao sistema nervoso.

Depois, células-tronco retiradas previamente de seu próprio corpo são implantadas e reativam a medula.

O método consegue estagnar a doença em grande parte dos casos e, em alguns, pode levar à recuperação de movimentos. Um estudo feito pela Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto e pelo hospital Albert Einstein mostrou que o tratamento freou o avanço do mal em 28 de 41 pacientes.

Quando Nando sair do hospital, o Comendador Nelson poderá voltar a seus outros pacientes. Com alguns amigos, ele montou o projeto Fantásticos Frenéticos, que faz visitas semanais ao hospital-dia do Instituto A Casa, em São Paulo, que propõe ser uma alternativa ao tratamento manicomial.

A ideia da loucura atraía Nando desde a adolescência, quando ele acompanhava de seu quarto o movimento de um hospital psiquiátrico --anos depois, ele entraria nesse hospital para interpretar um interno, no filme "Bicho de Sete Cabeças" (2001), de Laís Bodanzky.

No Instituto A Casa, o trabalho é outro --a base é a interação do palhaço com os pacientes. Uma troca, na qual o Comendador também recebe cuidados. "Eu estava subindo uma escada e um paciente me segurou: "Não vai cair, hein, Comendador?" Veja só: ele era um homem que a sociedade considera incompetente. De repente, chega alguém ainda mais frágil, e ele tem a oportunidade de me amparar. Desconfio que esse é o poder do palhaço. Em uma sociedade tão competitiva, que cobra o tempo todo soluções, respostas, efetividade, ele é o oposto disso. É um alívio."



Escrito por Marco Guerra às 23h33
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A Cia. Livre tem o prazer de convidá-lo para o início das atividades de ocupação de nosso Galpão da Pirineus, iniciando com uma mostra de leituras com novos dramaturgos:
 
 
Dia 02 de agosto: Leitura Dramática da peça As cinco faces de Eva de Tatiana Nozes.
Em As cinco faces de Eva, cinco acabam por se ligar de alguma forma. Sozinhas, tentam perceber o percurso de uma vida cheia de ambições e seguida de desilusões.
 
Tatiana Nozes, portuguesa com Bacharel em Design de cena. É atriz, cenógrafa e figurinista. Autora de vários poemas e monólogos.
 
Dia 09 de agosto: Leitura Dramática da peça Seis da Tarde de Caetano Gotardo.
 
Em Seis da Tarde, duas mulheres se encontram em um café. Por cerca de cinco anos trocaram cartas. Nunca se viram.
 
Caetano Gotardo, Bacharel em Cinema e Vídeo pela ECA/USP, é roteirista e diretor dos curtas -metragens, Areia, O Diário Aberto de R. e Feito Não Para Doer.Escreveu as peças Quase de Verdade,Retornar-se e Seis da Tarde.
 
Dia 16 de agosto: Leitura Dramática da peça  Longos Dias de Silêncio Branco de Marco Guerra.
Em Longos Dias de Silêncio Branco, quatro náufragos da tripulação de Ernest Shacklelon,o último navegador da era heróica,estão sozinhos em uma pequena ilha.
 
Marco Guerra é ator,palhaço e arte- educador.Foi premiado em 2005 no Concurso Nacional de Dramaturgia Ruth de Souza com a peça " No Inverno da América do Sul as Aves Voam para o Norte"
 
Dia 23 de agosto: Leitura Dramática da peça Espaço Vazio de Daniela Smith.
 
Espaço Vazio 4 personagens numa cidade, cada um vai encontrar-se consigo mesmo em face do outro.
 
Daniela Smith é atriz, diretora, dramaturga formada em Letras pela USP. Foi por cinco anos, membro do Círculo de Dramaturgia coordenado por Antunes Filho. Está em cena e assina a dramaturgia do espetáculo Yo Soy o que a àgua me deu, Frida.
 
Dia 30 de agosto: Leitura Dramática da peça Primaveras Pedidas de Fábio Torres.
Em Primaveras Perdidas , três prisioneiros, num canto afastado aos olhos de todos, tentam sobreviver a uma sociedade ausente.
 
Fábio Torres é dramaturgo e recebeu os seguintes prêmios e indicações: prêmio PAC - Na Cadeira com os Pés na Varanda (2006); melhor autor (indicação) - O Mata Burros indicado ao prêmio Shell (2006) - A Matéria dos Sonhos- Prêmio Coca- Cola (2005).
Dia 06 de setembro: Leitura Dramática da peça A invenção de Loren de Ana Roxo.
 
 A invenção de Loren, Loren já inventou de tudo um pouco. Mas agora que ela sumiu, restou apenas um caderninho com a mais fantástica das invenções de todos os tempos.
 
Ana Roxo é atriz, diretora, dramaturga e professora de teatro. Formada em Direção Teatral pela ECA-USP, também cursou EAD - Escola de Arte Dramática da USP. È Coordenadora do Núcleo de teatro de Rua da Escola Livre de Santo André.





Escrito por Marco Guerra às 12h43
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Jornal da Tarde Sábado-12 de Agosto

 

 

 

 

                  Bem-vindo ao 'Circo do Sêo Léo'

A apresentação começa: "Bem-vindos ao Circo do Sêo Léo", grita o professor Marco Guerra. É ele o responsável pela oficina de "palhaçaria" em sete unidades da Febem do Estado de São Paulo. O nome do circo é uma brincadeira com o grupo Cirque du Soleil - embora muitos meninos não entendam a referência.

Uma quadra poliesportiva esburacada serve como palco, enquanto traves de gol sem rede improvisam um backstage. O respeitável público se acomoda em cadeiras brancas de plástico e espreme bem os olhos por causa do sol forte. Ninguém está ansioso, nem mesmo os artistas - eles se apresentam para a mesma platéia ao longo das semanas.

É neste cenário pobre que a trupe de palhaços formada por oito internos da Febem do Tatuapé precisa rebolar para arrancar risadas. O colorido da maquiagem compensa o bege opaco das bermudas que fazem parte do uniforme dos internos. "Com certeza é difícil liberar nossa alegria com tanta grade e cerca ao nosso redor", diz o palhaço "Batatinha" (os menores é que pedem para ser chamados pelos "nomes de palhaços").

As cenas são feitas por dois, três palhaços no máximo. Quando contracena com eles, Guerra não se inibe em dar instruções entre uma piada e outra ("Olha para a frente, pois o público está lá!") Os meninos escutam e respeitam. Alguns dos internos se esforçam tanto nas oficinas que, quando retornam para a sociedade em liberdade, Guerra se pega chateado pelo "desfalque" na equipe. "Claro que quero que eles refaçam sua vida, aqui não serve como lar para ninguém", diz. "Mas fico com saudade."

Os aspirantes a palhaço também se apegam e muitos deles querem virar palhaços profissionais. "Não volto mais para minha vida de antes", promete o palhaço "Romeu". "Se eu tivesse aprendido o que aprendi aqui, não teria nem entrado nela."



Escrito por Marco Guerra às 00h16
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Internos de Franco da Rocha visitam os bastidores do Circo Roda Brasil, em São Paulo

Por Assessoria de Imprensa, em 19/09/06 15:58

No dia 22 de setembro, sexta feira, a partir das 19 horas, sete jovens da unidade de internação 25 - Rio Negro, do Complexo Franco da Rocha, que participam da Oficina de Palhaços, vão conhecer os atores do Circo Roda Brasil, que está em cartaz  com o espetáculo Staparfúdyo, no Memorial da América Latina.

Na ocasião, os jovens terão a oportunidade de conhecer os bastidores do espetáculo, conversar com os palhaços e, depois, assistirão à apresentação, programada para às 21 horas, sempre em compania do ator e arte-educador Marco Guerra, responsável pelas oficinas de arte-circense da Febem.

Guerra ressalta que o projeto faz grande sucesso entre os internos das unidades. “Quero aproveitar a oportunidade que o Circo Roda Brasil está oferecendo para que os adolescentes possam conhecer mais de perto o mundo circense, universo que eles conhecem muito pouco”, explica.

Já a assistente de produção e assessora do Circo Roda Brasil, Vivian Dozono, vê com bons olhos a visita dos jovens. “Espero que com essa visita, eles despertem para as oportunidades que existem nesse tipo de profissão”, conclui Vivian. Ela também informa que no ano de 2005, um dos idealizadores do grupo teatral Parlapatões, Raul Barretto, visitou duas vezes o Complexo Brás, a convite dos idealizadores do projeto ComunicaBem.

A oficina de palhaços existe desde agosto de 2005, e é composta por jovens reincidentes que manifestaram interesse em participar de atividades educativas voltadas à arte-circense. Atualmente, o professor Marcos Guerra conta com 20 alunos, divididas em três trupes, denominadas de: "Capota, Mas Não Breca"; "Trupica, Mas Não Cai" e "Pés ao Alto".

Circo Roda Brasil - o Circo Roda Brasil surgiu da união de dois grupos teatrais: os Parlapatões e o Pia Fraus, ambos patrocinados pela empresa CCR (Companhia de Concessões Rodoviárias). A iniciativa, denominada de CCR Cultura nas Estadas, é apoiada pela Fundação Memorial da América Latina e pela Secretaria de Estado da Cultura.

Com o objetivo de renovar a arte circense, o grupo conta com artistas que sempre sonharam em seguir pelas estradas levando às cidades brasileiras suas variadas linguagens cênicas: teatro, circo e teatro de bonecos. Saiba mais por meio do site www.circorodabrasil.com.br

 



Escrito por Marco Guerra às 23h50
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Quarta, 14 Junho 2006 23:54:39
 

Por Fernando Vieira

A unidade Adoniran Barbosa, do Complexo Vila Maria da Febem, em São Paulo, aposta em aulas de circo como ferramenta de ressocialização de seus internos, quase todos maiores de idade e reincidentes graves. Os resultados são positivos. O espetáculo tem nome sugestivo: 'Circo du Sô Léo', numa alusão ao Cirque du Soleil, um dos mais famosos do mundo.

fotos de Milton Mansilha

O palhaço Creitin, o professor Marco Guerra e o palhaço Sô Léo (de óculos)

Um olhar sério, concentrado. Olhos arregalados, fixos e direcionados à imagem refletida no pequeno espelho da caixa. O rosto começa a ser coberto de maquiagem. Gestos lentos e cuidadosos. Às vezes trêmulos, aparentemente receosos, que denotam pouca prática. A pintura vai desfigurando a seriedade, colorindo o rosto com um sorriso. Lábios largos desenhados sobre a pele.

Em pouco tempo, veste a máscara e despe-se de vaidades. Aceitar a transformação do corpo em motivo de piadas, de gargalhadas, é um desafio. "É preciso ter um pouco de coragem", diz de forma modesta o aprendiz Cleiton Gomes de Jesus, de 18 anos. Mas a tarefa, que não é fácil, torna-se mais difícil neste picadeiro, onde aprende, ensaia e se apresenta. Senhoras e senhores, o palhaço Creitin.


O rapaz é um dos 116 internos da unidade Adoniran Barbosa, do Complexo Vila Maria da Fundação Estadual do Bem Estar do Menor (Febem), destinada a abrigar adolescentes reincidentes graves. A maioria já atingiu a maioridade.



Escrito por Marco Guerra às 22h56
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Quarta, 14 Junho 2006 23:42:30
 

A Febem apresenta o circo Du So Leu


Os internos da unidade são, na sua maioria, maiores de idade e reincidentes graves. Entre eles e a rua, um rigoroso esquema de segurança e cinco portas de ferro. Para os que aderiram ao 'Circo du Sô Léo', o trabalho de ressocialização é uma esperança.

Nesse ambiente, sete internos desafiam a si próprios e participam de um curso no mínimo inusitado: o de palhaço. "Sem dúvida é preciso muita coragem para se vestir de palhaço e fazer uma apresentação para uma platéia de mais de 100 adolescentes, neste lugar", admite Cleiton. Afinal, o código para ser aceito e respeitado pelo grupo confinado na unidade nada tem de engraçado. É, sim, perverso: ser ladrão e assumir a mácula perante os demais. Um título de nobreza às avessas.

Meio que por acaso, a oficina de palhaço obteve permissão para entrar na fundação. Sua missão: ressocializar um grupo de jovens estigmatizados e apostar no sorriso como ferramenta de combate à violência.

O trabalho começou em agosto do ano passado nas unidades Uirapuru e Adoniran Barbosa, ambas no Complexo Vila Maria. O curso original era de teatro, mas a proposta não vingou junto aos internos. "Ninguém participava do teatro, não havia nenhum sinal de interesse. Parece que existe um certo preconceito com o teatro. Então, parti para o plano B", conta Marco Guerra, arte-educador do Instituto Mensageiros, entidade não-governamental que atua em parceria com a Febem no desenvolvimento de atividades culturais com os internos.

DÚVIDAS

Veio então a idéia de levar a oficina de palhaço – desenvolvida por Guerra fora da instituição – para o intra muros da Febem. No início, dúvidas. Como garantir o sucesso da iniciativa num ambiente isolado por mais de cinco portões de ferro e povoado por gente de poucos sorrisos? "Não sabia se iam aceitar a idéia. Se iam se interessar por fazer alguém rir ou se iam achar tudo uma palhaçada, no sentido negativo". Para quebrar possíveis preconceitos e resistências, explicou então sua proposta à rapaziada (forma de tratamento utilizada entre os internos – e para falar sobre eles), baseada num trabalho sério e respeitoso.

PEDAGOGIA

Guerra disse que seu curso pretende ir além do aprendizado de técnicas circenses. Trata-se de uma linha de trabalho batizada por ele de "Pedagogia do Palhaço" e pela qual busca reconhecimento.

"O palhaço não é um personagem. É um arquétipo presente em todas as pessoas. É, portanto, a busca de um segundo eu, sem malícia e o mais próximo do ideal de pureza, capaz de trocar tudo por um sorriso, pela felicidade".

Tudo esclarecido, Guerra teve de aguardar a aprovação dos internos. A primeira impressão é de que a direção pouco ou nada interfere nas decisões que definem os rumos da rotina interna da unidade. "A gente foi com a cara dele (do professor). Entendemos que ele queria ajudar e não ofender", diz um dos internos.

Para se ter uma idéia do grau de influência dos internos sobre a instituição, basta dizer que praticamente tudo passa pelo crivo deles. A reportagem só entrou na unidade porque os internos assim decidiram. E mais: determinaram o local em que as fotos seriam feitas e até o momento em que os aprendizes de palhaço deveriam se produzir.

EM CENA, SÔ LÉO

"Tira isso da cara", mandou um rapaz, quando o interno Anderson Martins, de 19 anos, se preparava para encarnar o palhaço Sô Léo, companheiro das palhaçadas de Creitin.

Minutos depois, a contra-ordem. Anderson já poderia se produzir e colocar no nariz seu óculos enorme. Mas nem tudo estava resolvido: uma reunião extraordinária é convocada e todos os internos se dirigem para um canto do pátio. Vão deliberar sobre uma apresentação fora de hora (e a pedido da reportagem) de Creitin e Sô Léo – e só deles dois. Os outros cinco aprendizes ficariam de fora.

Embora aparentemente democrática, a decisão é tomada por um único interno, conhecido como Voz. Os demais obedecem, conta um funcionário.

Essa tensão é encarada com certa naturalidade pelos dois palhaços que, acompanhados do professor, iniciam a apresentação. Encarnado em seu personagem, Anderson anuncia o espetáculo.

"Respeitável público, começa agora o Circo du Sô Léo!"

O nome, uma sugestiva alusão ao maior e mais fashion circo do mundo, o Cirque du Soleil, seria, contudo, produto de um feliz acaso. De uma combinação sonora, disseram.

Aos poucos, os adolescentes que compõem a platéia vão se soltando e soltando gargalhadas diante dos tropicões e do talento inegável dos dois rapazes. A função durou aproximadamente quinze minutos, uma amostra do sarau realizado toda última terça-feira do mês na Adoniran Barbosa.

RECONHECIMENTO

No final do espetáculo, os palhaços receberam as palmas e o reconhecimento do público. O 'Circo du Sô Léo' é aclamado. Vitorioso, Creitin diz que é fácil despertar um sorriso. "As pessoas estão muito acostumadas com a rotina. Basta uma coisa diferente para fazê-las sorrir". Quando perguntado se é mais fácil fazer sorrir ou causar medo, a resposta vem depois de uma breve pausa. "Se você tem uma arma, é mais fácil causar medo. Mas só há prazer em fazer sorrir. Sorriso é retribuição. E isso o crime não te dá".

Já em sua terceira e última internação, num total de três anos e cinco meses, e aguardando liberação judicial para deixar a Febem, Creitin vê na oficina de palhaço uma oportunidade de trabalho do lado de fora, um bico temporário para o ingresso na faculdade de artes cênicas que pretende cursar. Espera que o aprendizado dos tropeços artísticos o ajudem a impedir os tropeços da vida real.

Numa linha semelhante de trabalho educativo, adolescentes do Internato Vila Conceição, da Febem, exibiram ontem o curta metragem "Quem Rouba Sempre Perde". O filme foi produzido por eles, ao longo de 16 dias, durante a oficina cultural de audiovisual "Nosso Conto na Tela".



Escrito por Marco Guerra às 22h45
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Caros Amigos Que visitam esse blog, perdoem a pequena ausência.

Tenho me ocupado com grandes coisas! Com a grande brincadeira que é levar a vida a sério.

Continuamos mandando brasa com os trabalhos na FEBEM.

Encontrei essa notícia, que eu ainda não conhecia sobre nossa apresentação na Bienal do Livro.

Na verdade não foi uma apresentação de palhaços propriamente dita, mas de acrobacias de solo: Cambalhotas, cabalhotas-de-dois, de-três; saltos: golfinho, leão(altíssimos, por cima de mesas e cadeiras).

 

Apresentações culturais atraem público para estande da Febem na 19ª Bienal
ACS /Febem-SP
Jovem da Febem joga xadrez com visitante da Bienal

Atividades circenses, apresentação teatral, oficina de literatura e o desafio de xadrez são as principais atrações que mais chamam atenção do público no estande da Febem durante exposição na 19ª Bienal Internacional do Livro, no Anhembi.

As inserções culturais e de lazer mostraram aos visitantes os trabalhos desenvolvidos com os jovens internos.

Os palhaços da Febem - jovens da Unidade de Semiliberdade do Brás que participam da oficina de circo pararam a rua I, chamando a atenção de crianças de uma escola infantil que foram à Bienal. O público também ficou impressionado com a apresentação teatral dos jovens do Complexo Brás, que fizeram uma pequena demonstração do que aprendem nas aulas de dramaturgia.

No último fim de semana, dias 18 e 19, o público pode conferir a palestra do escritor e voluntário na Febem, Alessandro Buzo, que falou sobre a importância da leitura entre os jovens.

Na ocasião, ele fez um sarau literário com internos da Febem no estande da fundação. A oficina de leitura também foi prestigiada pelo ator Milton Gonçalves, que passou uma mensagem de esperança aos jovens.



Escrito por Marco Guerra às 10h46
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Palhaço
anônimo italiano

Quando eu era jovem, eu pensava que com a arte seria possível mudar o mundo.

Eu buscava constantemente um espetáculo que pudesse despertar no coração do público uma esperança.

Eu queria mostrar uma maneira diferente de viver, com mais amizade, criatividade, sem a obrigação de perseguir o dinheiro e o poder. Ilusão fútil que eu nunca consegui alcançar. Não só a revolução não chegou, como as pessoas se tornaram cada vez mais loucas e materialistas.

Quando eu me dei conta disto eu vivi momentos difíceis pensando, pensando inclusive que minha vida era um fracasso e que todo esforço era inútil.

Mas um dia eu tive uma revelação: se não se pode mudar o mundo, pelo menos é possível mudar a si mesmo, encontrar algo em seu coração, um desejo, uma necessidade e entregar-se totalmente a ele, sem olhar para trás. Isso não é para a sociedade ou para os outros, não, é para você mesmo.

E eu fazendo esse palhaço que eu sou, eu encontrei essa coisa. Provocar, burlar e fazer o público rir. Isso era tudo o que eu buscava em minha vida. Por certo eu não mudava o mundo, mas os palhaços nunca mudaram o mundo, passam o tempo tentando sem nunca conseguir, por isso são palhaços.

Os palhaços gostam do fracasso e das ações ineficazes, são perdedores alegres e isto é a verdadeira força que têm, nunca se cansam de perder. Desfrutam de cada fracasso e voltam em seguida a fracassar de novo, diluindo assim as certezas das pessoas sérias e que nunca duvidam.

Então, esse sangue que pareço ter na minha cabeça, esse sangue que tenho sobre a minha camisa, esse sangue que tenho no meu coração, esse sangue que está todo em mim é tão patético e inútil em seu simbolismo porque é sangue de um palhaço. Um sangue que não vem de uma grande luta ou em nome de uma causa heróica. É sangue de brincadeira, ao mesmo tempo verdadeiro e pouco importante.



Escrito por Marco Guerra às 00h13
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Os novos talentos da palhaçada

As aulas de circo fazem sucesso há seis meses entre os internos da Febem Vila Maria

Moacir Assunção
VILA MARIA

A figura simplória de um palhaço, o mais tradicional dos personagens circenses, pode ajudar a trazer mais qualidade de vida e tranqüilidade, além de incutir noções de respeito ao outro, a jovens internados na Fundação Estadual do Bem Estar do Menor. O trabalho foi iniciado há um ano e meio na unidade Vila Maria e levado também para a Unidade de Semi-Liberdade da Febem do Brás . Há seis meses, os jovens que cometeram delitos leves - e, por isso, podem sair da unidade para ir à escola e visitar os pais nos fins de semana - estão tendo aulas de palhaço, malabarismo, acrobacia e teatro.

Criador do que chama de "pedagogia do palhaço", o ator profissional Marcos Guerra, de 34 anos, passa aos jovens noções de tudo que aprendeu na vida. As sessões, que batizou de aula-espetáculo, incluem exercícios de perna-de-pau e muitas conversas sobre cidadania e direitos humanos. "O arquétipo do palhaço é o da pureza. Nas nossas conversas, falo sobre o alimento da alma de que todos precisam e quebro essa idéia materialista segundo a qual só é gente quem tem tênis ou bonés novos."

Assim, o ator vai construindo visões diferenciadas do mundo, centradas na solidariedade e no respeito mútuo, além da idéia de não-violência. Vários dos palhaços de sua companhia chegaram a apresentar-se na Bienal do Livro, recentemente encerrada, e até no Museu da Imagem e do Som (MIS), com ganhos para auto-estima e qualidade de vida. Além da unidade do Brás, Guerra também dá aulas nas Febens do Tatuapé e da Vila Maria.

BIENAL

Os meninos, ao que parece, gostam da aula. "Foi muito bom fazer a apresentação na Bienal. A gente estava com um pouco de vergonha, mas melhoramos depois e até um homem veio dar os parabéns", conta, feliz, um dos meninos, de 15 anos. Outro, de 13, pretende profissionalizar-se na área teatral. Até já fez várias apresentações, uma com um texto de autoria de Ana Clara Machado, que conta a história da visão de um boi e um burro que estavam na manjedoura antes da vinda de Jesus Cristo.

"Acho que devemos trazê-los (os jovens) para uma realidade mais saudável e não ser influenciados por eles. Já vi muitos funcionários usarem as gírias deles e sou contra isso, porque demonstra que estão nos influenciando, quando deveria ser o contrário", diz o professor. Um dos meninos, Marcos Aurélio, se tornou o palhaço Saidinha. O apelido foi tirado da gíria que significa o dia da libertação da Febem e a volta para casa. Outro garoto, também já libertado, voltou à unidade para retomar as aulas de palhaço.

(Fonte: O Estado de São Paulo - Zona Norte - on line - sexta-feira, 24 de março de 2006)



Escrito por Marco Guerra às 23h38
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 O querido palhaço carequinha...

                                                         Morreu na madrugada do dia 05 de abril

                                                          É... hoje tem marmelada no céu.



Escrito por Marco Guerra às 22h50
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